Exposição no Margs celebra o centenário de obra que transformou a arte

Não foi a primeira provocação de Marcel Duchamp (1887 – 1968), mas foi a mais célebre. E transformou a arte desde então. O criador francês teve a ideia em uma conversa com o também artista Joseph Stella (1877 – 1946) e o colecionador Walter Arensberg (1878 – 1954), em Nova York, em 1917. Duchamp comprou um urinol, intitulou-o Fonte e assinou como R. Mutt. Enviou para a Sociedade dos Artistas Independentes, que ele mesmo havia ajudado a fundar, mas a obra foi recusada e se perdeu, sem jamais ter sido exibida.

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Cibele Vieira, “Seguindo Meret Oppenheim” (2013); Marcel Duchamp, “Fonte” (1917); Mona Hatoum, “Entrails Carpet” (1995) – Foto: Margs e José Francisco Alves/Divulgação

Nos anos 1950 e 60, no entanto, artistas contemporâneos viram no ready-made de Duchamp uma inspiração para seus trabalhos, e o próprio autorizou a confecção de réplicas, que hoje estão expostas em alguns dos principais museus do mundo.

Cem anos depois da provocação que virou arte, o legado da Fonte é duplo. Por um lado, os procedimentos empregados – valorização do conceito, apropriação de elementos etc – estão profundamente integrados na arte contemporânea, expressão que é sinônimo de prestígio institucional e cifras vultosas. Por outro, o público não especializado continua questionando: isso é arte?

Essa é a história celebrada na exposição A Fonte de Duchamp: 100 Anos da Arte Contemporânea, que será aberta nesta terça-feira, às 19h, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli. O curador José Francisco Alves selecionou mais de cem obras de cerca de 50 artistas do Estado, de outras regiões do Brasil e alguns do Exterior, todas pertencentes ao acervo do museu. Os trabalhos abarcam um amplo intervalo de produção, entre as décadas de 1960 e 2010, mas a presença de Duchamp nem sempre é óbvia: pode estar em um procedimento formal ou em elementos como humor e jogo.

A Fonte de Duchamp: 100 Anos da Arte Contemporânea
Visitação: Até o dia 23 de abril, de terças a domingos, das 10h às 19h.
Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Praça da Alfândega, s./n), fone (51) 3227-2311. Entrada franca.
A exposição: apresenta mais de cem obras de cerca de 50 artistas do Estado, de outras partes do Brasil e do Exterior nas quais se destacam relações com a Fonte (1917), de Marcel Duchamp. As produções pertencem ao acervo do Margs.

Fonte: Zero Hora

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